A Casa de Mateus é um espaço vivo onde cabem todos os futuros. Nos últimos anos, a Fundação assumiu, de uma maneira mais intensa, o seu papel de agente cultural num território tão singular, procurando captar conhecimento, ideias e protagonistas que permitam transformar a paisagem local com os olhos nas grandes questões que mudam, à escala global, a relação com as coisas: as transições ecológica e digital.
Quem passa na Estrada Nacional 322, não vê. E é mesmo assim. Quando a envolvência da entrada da Casa de Mateus foi projetada, desejou-se o espanto. Aquela surpresa de quem entra, desce um caminho abraçado por árvores sem saber bem o que vai encontrar, e desemboca na exclamação. Os olhos contemplam em dobro. Em vez de uma Casa, temos duas. Um lago, ou o Lago, quase como um espelho, reflete toda a Casa de Mateus. Em dias de sol, o céu também desce à água e a essa imagem duplicada, talvez para nos convencer que o céu também pode ser na Terra.
O espelho de água, que dificilmente resiste ao clique da máquina fotográfica, leva-nos a um passado que, afinal, não é assim tão distante. Foi na década de sessenta que D. Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque concluiu a alteração de toda a área que enquadrava a fachada da Casa, convidando o arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles a desenhar o projeto. Foi então criada a entrada que hoje conhecemos, que nos permite o tal maravilhamento e surpresa de cada vez que nos aproximamos mais da Casa. Curioso ponto de chegada que é, em simultâneo, um ponto de partida.
O espelho de água, que dificilmente resiste ao clique da máquina fotográfica, leva-nos a um passado que, afinal, não é assim tão distante. Foi na década de sessenta que D. Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque concluiu a alteração de toda a área que enquadrava a fachada da Casa, convidando o arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles a desenhar o projeto. Foi então criada a entrada que hoje conhecemos, que nos permite o tal maravilhamento e surpresa de cada vez que nos aproximamos mais da Casa. Curioso ponto de chegada que é, em simultâneo, um ponto de partida.
Jardins com letra maiúscula
Os Jardins da Casa de Mateus merecem letra maiúscula. Entre buchos, rosas, camélias, azáleas e tantas outras plantas e árvores, os Jardins surgem quase como um jogo de sobreposições, um labirinto onde nos vamos perdendo para, quem sabe, nos encontrarmos. Os tanques de água, os arcos, todos os desenhos, são resultado de várias épocas. É certo que uns espaços complementam os outros, que nenhum reivindica mais atenção, mas também é certo que o Túnel de Cedros é como uma força viva que naturalmente nos puxa para a quase ausência de claridade, com a promessa, lá ao fundo, da tão desejada luz ao fundo do túnel. E é essa luz que nos transporta depois para outras paisagens, férteis de vida. Com as vinhas sempre em perspectiva, a horta-jardim apresenta-se com o seu tempo próprio, sem pressa que assuste as couves, os pimentos, os alhos, as ervas aromáticas ou qualquer outro ser que ali cresça, lado a lado com a exuberância dos Jardins e a imponência da Casa.

Jardins 
Jardins
Casa ou Palácio de Mateus?
Comecemos pela resposta certa: Casa. Mas, para quase todos, Palácio de Mateus, talvez fruto do imaginário popular.
E, não, Mateus não tem nada a ver com o nome da família. Para entender, viajemos até ao Séc. XVI. Foi nessa altura, em 1577, que a primeira geração da família, Dona Maria Gonçalves e Cristóvão Álvares, comprou um terreno na Freguesia de Mateus. Aí, construíram uma casa e uma capela relativamente pequenas. Mais tarde, já na quinta geração da família, é D. António José, 3º Morgado de Mateus, quem decide demolir parte dessa casa primitiva e a totalidade da capela e iniciar uma nova construção. A Casa de Mateus, tal como a conhecemos hoje, começava aí a ser projetada. E não como sendo apenas uma casa, mas um conjunto de espaços: Casa principal, Jardins e Capela. O projeto, no qual terá tido papel fundamental Nicolau Nasoni, o mestre do Barroco, foi levado a termo pelo filho de António José, D. Luís António, o 4º Morgado de Mateus, no ano de 1744.
D. Luís António foi uma figura muito importante para o modo como conhecemos a Casa ainda hoje. É que D. Luís António tinha uma quase obsessão em guardar todos os documentos da Casa, em preservar tudo o que era mobiliário e bibliografia. Para além disso, foi incumbido pelo Marquês de Pombal de ser governador da Capitania de São Paulo no Brasil, durante dez anos (1765-1775). Em Mateus, ficou a sua mulher, Dona Leonor de Portugal e o filho, D. José Maria.
D. José Maria, o 5º Morgado de Mateus, acaba por ir estudar Matemática para a Universidade de Coimbra e, mais tarde, inicia-se na vida diplomática em França. Estamos no final do Séc. XVIII, início do Séc. XIX. Nessa altura, num momento em que sentia Portugal em perigo D. José Maria sonha dar maior relevo à cultura portuguesa através do seu poema maior: Os Lusíadas. É então feita a Edição Monumental d’Os Lusíadas, constituída por 210 exemplares em papel, com 13 gravuras e muitas outras singularidades, que foram distribuídos pelas famílias importantes, bibliotecas Reais e bibliotecas públicas de toda a Europa. A edição original, em dois volumes, em velino, com caracteres tipográficos únicos, que foram mandados destruir depois da publicação, encontra-se na Biblioteca da Casa de Mateus.
Outra figura emblemática foi o filho do D. José Maria, D. José Luís, que se destacou como diplomata e militar durante o período marcado pelas invasões francesas. Um trabalho de tanto valor que valeu finalmente o título de Conde de Vila Real, tão almejado pela sua avó, D. Leonor de Portugal.

Preservar, preservar e preservar
Se há coisa que tem sido transversal às treze gerações da família é a preservação. Desde o início, os que viveram na Casa de Mateus têm tido a preocupação de guardar todos os documentos, de preservar a memória e o património material e imaterial. Um facto que faz da Casa de Mateus um polo muito importante quando queremos entender o passado, não só da Casa ou da região, mas também todo o contexto social do país.
Até à década de 1960, a Casa de Mateus era vivida apenas pela família. Mas, no dia 21 de abril de 1961, a Casa abriu portas à comunidade com a inauguração do Museu da Casa de Mateus. A iniciativa partiu de D. Francisco de Albuquerque, 6º Conde de Vila Real, pai do atual Diretor-Delegado da Fundação da Casa de Mateus, D. Fernando de Albuquerque, com o objetivo de partilhar todo o património, material e imaterial, com a comunidade, mas também o de assegurar, com as receitas das entradas, a sustentabilidade da Casa enquanto Monumento Nacional e a preservação do seu acervo arquivístico e bibliográfico.
E foi também D. Francisco que, 9 anos depois, criou a Fundação da Casa de Mateus, no dia 3 de Dezembro de 1970, juntando à originalidade que reside nesta conjugação entre família, arquivo e património uma vocação de serviço público cultural e educativo. Em suma, preservar a memória e projetá-la no futuro…
No dia em que a Fundação fez sete anos, a 3 de dezembro de 1977, D. Fernando de Albuquerque iniciou o ciclo “A Cultura em Diálogo”, dando origem a uma prolífera atividade cultural. Neste período inicial, a Fundação marcou a sua presença na região, no país e no mundo com alguns programas históricos entre os quais se destacam os Encontros Internacionais de Música, os Seminários de Tradução de Poesia ou o Prémio D. Diniz.
Nos últimos anos, a Fundação assumiu de uma maneira mais intensa o seu papel de agente cultural neste território tão singular, procurando captar conhecimento, ideias e protagonistas que permitam transformar a paisagem local com os olhos nas grandes questões que mudam, à escala global, a relação com as coisas: as transições ecológica e digital. Esta discussão fundamental apenas veio intensificar-se com a crise pandémica, na forma como obriga a repensar e reconstruir os modelos de sustentabilidade, ambiental e económica, de reencontrar as práticas tradicionais e cruzá-las com os desafios da ciência e da tecnologia no sentido de acrescentar valor ao património histórico, cultural, mas também ambiental, acrescentando valor a cada um e a todos enquanto comunidade.
Porque, afinal, a Casa de Mateus é um espaço vivo onde cabem todos os futuros.
Para visitar a Casa de Mateus (www.casademateus.pt)
Horários: segunda-feira a sexta-feira: 9h00 às 13h00 – 14h00 às 17h00
Para reserva: visitas@casademateus.pt ou +351 259 323 121
Cartão de Amigo(a)
Dirigido a todos aqueles que, na Cidade e na Região, no País ou no Mundo, desejam estar mais próximos da Casa, do seu património e da sua programação cultural, o cartão Amigo(a) da Casa de Mateus é um passaporte para uma experiência singular, que bebe na memória e no património as ideias com que se propõe construir o futuro. Por um investimento anual mínimo, adquira ou ofereça a um amigo o acesso privilegiado à Casa, aos jardins, aos eventos culturais e a um conjunto de iniciativas exclusivas.
Preço anual: Adulto: 20,00 € | 6 a 12 anos: 8,00 € | Estudantes até 25 anos: 10,00 € | M 65 e desempregados: 15,00 €
Permite ao seu titular beneficiar de:
- Desconto de 25% nas visitas guiadas;
- Desconto de 50% nas visitas livres ao Jardim;
- Descontos de 15% em cada modalidade das Provas de Vinho.
- Descontos de 10% na aquisição de publicações da Casa de Mateus;
- Acesso privilegiado à programação cultural da Fundação da Casa de Mateus;
- Acesso antecipado para visita aos Jardins em dias de Concertos ou outras atividades públicas (duas horas antes);
- Duas vezes por ano, poderá partilhar estes benefícios com um convidado à sua escolha.
Consulte: visitas@casademateus.pt ou 259 323 121

