Amarante anuncia passes gratuitos para deficientes

Em nota dirigida à Imprensa, o Município de Amarante anunciou, no âmbito do PART – Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes Públicos, “passe gratuito para cidadãos com incapacidade igual ou superior a 60 por cento, válido em toda a rede municipal, incluindo os transportes urbanos VIA”. Ninguém ousará pôr em causa o mérito da medida, mas será que os autocarros estão preparados para transportar deficientes?

O Passe gratuito inclui também “uma viagem adicional, entre Amarante e Vila Meã, para coincidir com o comboio que parte em direção ao Porto, às 07h10”, acrescenta aquela nota.

O Município de Amarante remete também para as medidas que entraram em vigor em 1 de janeiro de 2020, nomeadamente o passe municipal sénior, com 50 por cento de desconto face ao passe municipal, e a nova ligação a Vila Meã.

Quer o Passe Municipal Sénior, no valor de 15 euros, quer o Passe Municipal, que mantêm o preço de 30 euros, permitem, segundo a autarquia, circular em toda a rede municipal, no VIA (Viagens de Amarante) e, ainda, na nova linha de transporte regular, que funciona entre o terminal rodoviário do Queimado e a estação ferroviária de Vila Meã. Esta nova linha é igualmente gratuita para quem tiver passe ou bilhete da CP e tem um custo de 50 cêntimos para aos restantes utilizadores.

São oito as ligações diárias entre os dois principais polos urbanos do concelho, conjugadas com os horários de maior procura da CP, recorda a nota de imprensa do Município de Amarante que acrescenta que foi também a reduzido o custo dos passes do VIA para estudantes e seniores, tendo agora um custo de 7,5 euros.

Autocarros estão preparados?

O (eventual) mérito da implementação de passes gratuitos para deficientes esbarra de frente com as condições físicas dos autocarros que fazem as carreiras para Vila Meã (da empresa VALPI) e das viaturas ao serviço dos VIA (RODONORTE).

De facto, quer num caso, quer noutro, nenhum deficiente motor que use uma uma cadeira de rodas para se deslocar (logo, com mais de 60 por cento de incapacidade) consegue aceder aos autocarros usados, já que estes não dispõem de plataformas elevatórias.

Uma fonte da VALPI confirmou isso mesmo a AMARANTE MAGAZINE, acrescentando que não é crível que a empresa venha, num futuro próximo, a adquirir veículos dotados daquele equipamento para uso em carreiras regulares. A mesma fonte adiantou que a VALPI dispõe, em Penafiel, de um autocarro acessível a deficientes motores, mas que essa viatura não faz transportes públicos, estando alugada, em permanência, a uma instituição privada.

A RODONORTE, ao que apurou AMARANTE MAGAZINE, também não dispõe de viaturas adaptadas a deficientes motores, e assemelha-se pouco crível que as venha a adquirir para as carreias VIA.

Entretanto, solicitada a comentar o assunto, a delegação de Amarante da Associação Portuguesa de Deficientes (APD), através do seu Presidente, Serafim Files, considerou pertinentes as questões que lhe dirigimos e fez saber que, em breve, não ele, mas ”toda a Direção pronunciar-se-á”.

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