Os novos desafios do Restaurante Amaranto

A compra, em 2018, da RTA (Rio Tâmega, Turismo e Recreio) pelo Grupo Looping, líder europeu na gestão e exploração de parques de diversão, e que detém, entre outros, a Isla Mágica, em Sevilha – alterou a estratégia empresarial que vinha sendo seguida para aquela empresa pela Mota Engil Turismo, que concentrava na mesma área de negócio o Parque Aquático de Covelas, o Golfe da Quinta da Deveza e, no setor dos eventos, a Casa do Rio.

Fixando-se apenas naquilo que é o seu “core business”, o Looping Group cedo fez saber do seu interesse em ficar apenas com o Parque Aquático, admitindo vender ou ceder à exploração os outros ativos do grupo. O Golfe viria a encontrar um novo patrão e a Casa do Rio imediatamente suscitou o interesse de José Francisco Sousa (na imagem com a esposa, Tatiana Capestru), dono do Restaurante Amaranto, que, em face do know how detido e da procura existente, há muito que esperava uma oportunidade para alargar a sua atividade na área do catering e dos eventos.

No início de Junho passado, essa oportunidade concretizou-se com um acordo experimental de exploração e, durante os meses de verão, foram já muitos os serviços ali realizados pelo Restaurante Amaranto.

Tendo sido a experiência positiva, a formalização da parceria com o Grupo Looping, através de Contrato de Cessão de Exploração da Casa do Rio pelo Amaranto aconteceu recentemente, sendo, agora, José Francisco também Gerente daquele espaço. Mas já lá vamos.

“QUEM SAI AOS SEUS…”. José Francisco Sousa, após ter frequentado engenharia civil na FEUP, acabaria por adquirir formação em Gestão Bancária, tenho tido o seu primeiro emprego na área da Contabilidade. Em 2008, então com apenas 25 anos, sabendo da vontade dos antigos proprietários do Restaurante Amaranto em proceder à sua alienação, ficou, após negociações, com a exploração do espaço. Mas tarde, viria a fazer a sua aquisição.

José Francisco não tinha qualquer experiência na gestão de unidades de restauração, mas a área não lhe era de todo estranha, já que sua avó paterna, D. Amélia Fonseca, que ele visitava amiúde, geriu, até 2001, o “Restaurante Zé da Calçada”, um negócio de família iniciado no início do século XX por José da Fonseca, seu bisavô, então com a designação de “Pensão Tâmega”.

José da Fonseca começou por ter um talho na Rua da Calçada, junto ao Largo do Paço, negócio em que a esposa, D. Antónia Fonseca, com quem teve nove filhos, também ajudava. A certa altura, e dada até a dimensão da família e a apetência de D. Antónia para a cozinha, o casal decidiu buscar uma outra fonte de rendimento e abriu, na rua 31 de janeiro, a dita pensão, que servia, sobretudo, viajantes que obrigatoriamente ali passavam nas suas idas de Trás-os-Montes para o Porto e vice-versa (a chamada “Ponte Nova” de Amarante só foi construída na década de sessenta do século passado, pelo que todo o trânsito era, até então, feito pelo interior da vila, sendo a ponte de S. Gonçalo a única travessia do Tâmega).

A “Pensão do Tâmega” prosperou e cresceu em poucos anos, mas ninguém se referia ao espaço usando aquele nome. Quem o frequentava, dizia que ia ao “restaurante do Zé da Calçada” e esta designação (sem o “do”) viria a impor-se, passando a figurar por cima da porta de entrada. De tal forma que o Guia de Portugal dos anos 50 já o referia e aconselhava.

D. Amélia Fonseca, a mais nova da prole de José da Fonseca e D. Antónia, iniciou-se, com apenas 16 anos, na gestão do estabelecimento comercial, ajudando sua mãe e tornando-se, mais tarde, sócia maioritária do negócio em que seus oito irmãos também tinham participação. D. Amélia viria, gradualmente, a apurar o serviço e a ganhar novos clientes, tendo, alguns anos depois de iniciar a colaboração com sua mãe, promovido obras no restaurante (que começou por ter um perfil de “tasca”), fazendo-o crescer, posicionando-o num segmento médio-alto e tornando-o uma referência incontornável da gastronomia e da restauração do país.

Inovando na oferta, D. Amélia criaria vários pratos icónicos, como o Cabrito ou o Bacalhau à Zé da Calçada, prato que o Restaurante Amaranto hoje serve com a designação de “Bacalhau à D. Amélia”. A avó de José Francisco reformou-se aos 76 anos e, cansada e sem seguidores, na altura, na família, cedeu a exploração do restaurante em 2001. Não sem que tenha feito prometer o neto, ainda muito jovem (tinha apenas 18 anos), que tudo faria para que o restaurante jamais entrasse em degradação. Algo por que José Francisco, com o apoio do pai, da mãe e da irmã diz ter lutado, com sucesso, enquanto gerente da empresa José da Fonseca e Herdeiros, Lda.

Mas, as ligações, por via familiar, de José Francisco à área da restauração, não estão apenas em Amarante. Natural de Guimarães, o empresário trouxe da cidade berço as referências de seu avó materno, proprietário da “Casa Custódio”, restaurante conceituado, com localização junto ao Castelo.

O RESTAURANTE AMARANTO. Quando, em 2008, José Francisco decidiu deixar a contabilidade e entrar no negócio da restauração, teria, se tivesse sido possível, iniciado esta nova fase da sua vida no “Zé da Calçada”. Porém, desde 2001 que o restaurante havia sido entregue à exploração e o Restaurante Amaranto, dado o seu perfil e aura cultural, encaixava nas suas pretensões.

Muito jovem, ainda, José Francisco disse a AMARANTE MAGAZINE que, na altura, o que lhe “sobrava em paixão faltava-lhe em experiência e maturidade”, o que, reconhece, o levou a “cometer muitos erros”, para os quais, de resto, havia sido alertado pela avó e pelos pais. “Tudo aquilo para que me preveniram, aconteceu”, recorda.

“Um restaurante com a dimensão do Amaranto é muito difícil de gerir. Depois, há uma grande sazonalidade na cidade, que não beneficia o negócio. E que poderia ser atenuada se, por exemplo, houvesse mais turismo desportivo, turismo de saúde e bem-estar, o turismo religioso, de negócios… . Porém, em Amarante não temos, por exemplo, nenhuma modalidade desportiva a alto nível. Dou-lhe o exemplo do Vitória de Guimarães, que conheço bem, e que, num fim de semana, ‘arrasta’ milhares de pessoas”, conclui.

Com a sazonalidade a não facilitar o negócio, para se ter sucesso é preciso disciplina, imaginação e muita resiliência, para além de ter que se estar atento às oportunidades que podem ser potenciadas: efemérides como o Halloween, o S. Martinho, o Dia dos Namorados ou o Dia da Mulher são aproveitadas pelo Amaranto, que os seus clientes reconhecem ser um espaço acolhedor, simpático, asseado, com uma decoração sóbria e uma cozinha de muita qualidade.

Focado na cozinha tradicional portuguesa, o Amaranto tem como pratos de referência o cabrito assado e a posta maronesa, feitos com carnes certificadas; e o bacalhau à D. Amélia, cujo modo de fazer é uma criação de D. Amélia Fonseca. Depois, há um conjunto de outros pratos, na área dos peixes e das carnes, ou dos mariscos, que o Amaranto também serve, com base em receitas tradicionais, que o posicionam num patamar de excelência.

É de referir o serviço de catering de elevada qualidade do Restaurante Amaranto, capaz de realizar qualquer tipo de evento no domicílio dos seus cliente, em empresas ou instituição. E com provas dadas ao serviço dos Campeões do Mundo de Ralis WRC e das mais importantes entidades locais. Muito procurado é, também, o Serviço Executivo do Amaranto, que o restaurante serve de segunda a sexta-feira.

CASA DO RIO: UMA NOVA FASE. Com o negócio em expansão desde 2015, o Amaranto precisava de dar o salto para novo patamar, na área do catering e dos eventos, para a qual sempre esteve vocacionado, tendo, a partir de 2015 apostado também em fazer serviços em casa dos clientes, para, entre 60 a 80 pessoas.

Faltava-lhe, porém, um espaço cujas dimensões permitissem servir grandes eventos. As quintas e casas onde isso era possível passaram a ter o seu próprio serviço de catering, pelo que o seu aluguer deixou de ser possível.

Daí que, quando a proposta de exploração da Casa do Rio foi apresentada ao Amaranto, José Francisco não hesitou na resposta, ciente de que ter aquele equipamento lhe permitiria voltar a uma área de negócio (os casamentos e os grandes eventos) que o Amaranto já havia explorado e para a qual dispõe de know how e equipa. No verão passado, em três meses, foram mais de trinta os eventos que o Amaranto ali serviu, maximizando a faturação do restaurante.

A Casa do Rio tem um potencial enorme no setor dos eventos. Com três salas, cada uma com capacidade e perfil distintos, é possível promover ali realizações de dimensões e naturezas diversas. O piso superior está preparado para acolher eventos corporativos (reuniões de empresas, lançamento de produtos, encontros, pequenos congressos, palestras e conferências), podendo receber até 150 participantes, dispondo de uma área adjacente para catering ou coffe breaks.

O piso intermédio, por onde se distribui a sala principal, propicia a realização de médios ou grandes eventos, com a sua capacidade a chegar aos 400 lugares sentados, quando usado em conjunto com o piso superior e menos um. Aqui, são servidos os aperitivos, no piso central os quentes e, no superior, as sobremesas. Usados autonomamente, os três pisos permitem a realização simultânea de três eventos diferentes, oferecendo qualquer deles muito boas condições de conforto, a que se alia uma cozinha excelente, de 300 metros quadrados.

Mas não são só as condições físicas da Casa do Rio que chamam a atenção. Situada na margem direita do Tâmega e com umas vistas magníficas sobre o rio, a envolvente do imóvel oferece muito verde e água, ficando lado a lado com a “Aldeia do Tâmega”, um empreendimento de turismo de habitação que resulta da recuperação de antigas casas da Quinta da Deveza.

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