MIMO 2019: o Acontecimento do Ano

Escolher o “Acontecimento do Ano” 2019, em Amarante não é, pode dizer-se, tarefa árdua. Globalmente, os últimos tempos foram de uma estranha pacatez, sem novas iniciativas ou com iniciativas “velhas”, que se repetem nos formatos, que já não entusiasmam, e que, parece óbvio, ou se transformam e reinventam ou desaparecerão por si.

É o caso dos Prémios Teixeira de Pascoaes e Amadeo de Souza-Cardoso, que parece estarem em perda de prestígio, suscitando cada vez menos interesse, ao ponto de este último se ter visto “obrigado”, recentemente, a alargar o prazo de candidaturas, sendo que essa suposta “benesse” a eventuais concorrentes, se deverá, antes, à escassez de concorrentes.

De resto, não é só o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso que poderá estar em perda prestígio. O Museu também pode correr esse risco. A programação para aquele espaço chega a parecer casuística (com a Fundação Millennium BCP e o MIMO a darem a volta por cima, com as excelentes exposições que ali têm feito) e as suas salas são cada vez mais desconfortáveis: excessivamente quentes no verão e muito frias no inverno. Depois, o Museu Amadeo de Souza-Cardoso transformou-se num equipamento muito pouco amigável do ponto de vista do visitante/utilizador, com processos de visitação antiquados, dos quais, incompreensivelmente, a tecnologia está completamente arredada.

A impressão que fica, é a de que tem havido um (pelo menos aparente) “desinvestimento” no Museu, patente, até, na escassez do mercandising que promove a sua marca e na recorrente falta de peças que, ao longo de anos, se tornaram referência. E até a evocação do centenário da morte de Amadeo mereceria (muito) mais.

A forma como se olha e valoriza o Museu Amadeo de Souza-Cardoso e o seu espólio, reflete-se, porventura, também, no custo das entradas, de apenas um euro, o que deverá deixar espantados muitos turistas que, avisados do preço, se questionarão se valerá a pena a visita. E outros, legitimamente, pensarão que estar frente a frente com “A cosinha de Manhufe”,  com “A canção popular” ou “Música Surda” é, afinal, uma coisa vulgar.

Mas voltemos ao princípio. Eleger o acontecimento do ano 2019, em Amarante, é extremamente fácil. Por um lado, são poucas as opções (o Tamaranto – Festival de Teatro, por exemplo, nem sequer se realizou, pela primeira vez desde o ano 2000) e, por outro, há claramente um evento que, em qualquer caso, se imporia, por, julga-se, ser muito difícil surgir concorrente à altura. O MIMO, pois claro, que, em boa hora, em 2016, Lu Araújo decidiu trazer para Amarante.

A última edição do MIMO, realizada no final de julho, é, então, para AMARANTE MAGAZINE, o “Acontecimento do Ano”. Pela organização muito profissional; pela qualidade das atividades que lhe estão associadas, seja a música ou o cinema; pelas muitas pessoas que desfrutam da sua diversificada oferta. Os números oficiais apontaram para 80 mil espectadores na última edição, o que será, em nosso entender, uma sobreavaliação. Muitos dos que vieram ao MIMO estiveram três dias em Amarante, pelo que se pensarmos em espectadores únicos, 50 mil será um número mais próximo da realidade. Mas, mesmo assim, é obra.

Com realização assegurada pelo Município até 2021 (percebe-se que não haja compromissos para lá dessa data, já que em outubro daquele ano haverá eleições) teremos, pelo menos, mais dois MIMOS. Venham eles. O MIMO, como faz questão de dizer Lu Araújo, “é Arte com Amor”. Lu é a nossa “Personalidade do Ano”.

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