José Cardoso: da Banda do Exército para a Banda Musical de Várzea

José Oliveira Cardoso tem 52anos, e é Maestro da Banda Musical de Várzea (BMV) há nove. Iniciou a sua formação musical na Banda Marcial de Ancede, em Baião, com 10 anos e, aos 17, entrou para a Banda Militar do Porto, integrando, mais tarde, a Banda do Exército. Foi músico militar durante 36 anos. Já reformado foi convidado a dirigir a Banda Musical de Várzea BMV). Quando chegou, a banda fazia 10 a 11 concertos por ano. Em 2019 atingiu os 18.

José Oliveira Cardoso tem 52 anos, e é Maestro da Banda Musical de Várzea (BMV) há nove. Iniciou a sua formação musical na Banda Marcial de Ancede, em Baião, com 10 anos e, aos 17, entrou para a Banda Militar do Porto, integrando, mais tarde, a Banda do Exército. Foi músico militar durante 36 anos. Já reformado foi convidado a dirigir a Banda Musical de Várzea BMV). Quando chegou, a banda fazia 10 a 11 concertos por ano. Em 2019 atingiu os 18.

Cabe ao maestro José Cardoso construir o reportório da BMV, o que não é fácil. Para que se perceba, explica-nos, “o reportório é construído, por um lado, com base nas competências e conhecimentos dos executantes que temos. Por isso, pode não ser o mesmo todos os anos, dependendo da valia dos elementos que saiem ou entram. Este ano, por exemplo, perdemos sete executantes importantes, muito capacitados, que nos fazem imensa falta para a execução de peças mais técnicas ou eruditas”. 

“Por outro lado, diz, temos também em conta os públicos e os sítios onde atuamos. O reportório que levamos para as Festas de Junho é diferente do que construímos para atuações em ambientes rurais. Aqui, o alinhamento é feito com música ligeira e popular”, géneros que, por exemplo, os emigrantes apreciam quando, nos meses de verão, retornam à terra onde nasceram. E, em julho e agosto é tal a afluência de emigrantes às nas aldeias do Marão, que a sua população chega a triplicar.

Mas, então, o que toca a Banda de Música de Várzea? Medleys dos Xutos e Pontapés, dos Pink Floyd, dos ABBA, ou de Bryan Adams. E também temas de filmes: Fantasma da Ópera ou Piratas das Caraíbas. E, como não poderia deixar de ser, música popular portuguesa, rapsódias com temas de várias regiões. 

“Este ano, refere o Maestro, estamos a tocar “Retalhos do Minho” e “Bailar em Nespereira”, com excertos de músicas que se dançavam naquela localidade; ou “Festa no Pico”, que tem músicas como a “Chula”, “A mulher Gorda”, temas que geralmente encerram as nossas atuações, quando o público está mais animado”.

De acordo com José Cardoso, cerca de 70 por cento dos executantes fazem a sua formação na escola de música da banda. “Mas, infelizmente, reconhece, são muitas as carências e a falta de orçamento impede que, para além de mim, haja outros professores, desde logo para instrumentos específicos. Repare, eu tenho de ensinar flauta, trompete, clarinete, tuba, trombone…, sendo que pouco sei desses instrumentos. O instrumento que eu domino, em que me especializei, é o clarinete”. 

Não obstante esta carência, a que se juntam as dificuldades de recrutamento e o abandono, todos os anos, de alguns executantes, o maestro acredita no futuro da BMV, defendendo que, provavelmente daqui por 10, 15 anos, isto poderá já não acontecer. Os jovens que hoje têm 20 anos, se continuarem na banda (onde até há alguns casais de namorados), vão, certamente, querer que os seus filhos tenham formação musical e, aí, em sua opinião o problema pode ficar resolvido. Entretanto “se a maioria dos músicos continuar na banda, daqui por dois anos podemos estar a um nível interessante e equiparar-nos a bandas com nome”, acredita o maestro

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