Era natural de Amarante: morreu D. Manuel Vieira Pinto, arcebispo de Nampula.

“D. Manuel Vieira Pinto esteve sempre do lado das pessoas, da sua dignidade, dos seus valores mais genuínos e da sua luta pela liberdade, pela democracia e pela paz em terra de gentes de bem que têm direito a ser felizes”, disse dele D. António Francisco dos Santos.

Segundo noticia a agência Ecclesia faleceu, a 30 de abril, na Casa Sacerdotal da Diocese do Porto D. Manuel Vieira Pinto, arcebispo emérito de Nampula (Moçambique). Tinha 96 anos de idade.

D. Manuel da Silva Vieira Pinto nasceu a 9 de dezembro de 1923, em Aboim, Amarante, na Diocese do Porto; foi ordenado presbítero na catedral da sua diocese por D. Agostinho de Jesus e Sousa, a 7 de agosto de 1949, tendo sido coadjutor da paróquia de Campanhã e assistente de vários organismos da Ação Católica. Em 1955 foi nomeado Diretor Espiritual do Seminário Diocesano de Nossa Senhora do Rosário de Vilar, e foi o responsável nacional do Movimento do Mundo Melhor, depois de “algum tempo em Roma, ao longo do ano de 1960”, para conhecer o movimento apostólico.

O Papa Paulo VI chamou-o ao episcopado a 27 de abril de 1967 para ser bispo de Nampula e foi ordenado a 29 de junho do mesmo ano na igreja da Trindade, pelo núncio apostólico em Portugal, D. Maximiliano Furstemberg.

O prelado português resignou a 18 de janeiro de 1998, permanecendo na arquidiocese moçambicana até à sua jubilação no ano 2000, regressando então a Portugal (16 de novembro).

Em 2017, o então bispo do Porto D. António Francisco dos Santos publicou uma nota pastoral de “jubilo e gratidão” pelos 50 anos de ordenação episcopal de D. Manuel Vieira Pinto, destacando a “vida cheia de encanto e de doação a Deus e à Igreja para que o Mundo seja Melhor” do arcebispo português.

“D. Manuel Vieira Pinto esteve sempre do lado das pessoas, da sua dignidade, dos seus valores mais genuínos e da sua luta pela liberdade, pela democracia e pela paz em terra de gentes de bem que têm direito a ser felizes”, afirmou na ocasião D. António Francisco dos Santos.

Nesse ano, o missionário padre José Luzia publicou um livro sobre D. Manuel Vieira Pinto com o título “O visionário de Nampula”, destacando o contributo do arcebispo português para o dinamismo e renovação da Igreja Católica em Moçambique, nomeadamente na transição para a independência, onde se preocupava com a “defesa do povo e não da defesa de Deus”.

Entrevistado no programa Ecclesia, o padre José Luzia, que trabalhou desde os 22 anos com o arcebispo de Nampula, recorda os “silenciamentos” e a “expulsão” de D. Manuel Vieira Pinto de Moçambique, em 1974, por levantar a voz contra a guerra colonial, a opressão e o sofrimento do povo moçambicano.

Em 1992, o então presidente da República Mário Soares condecorou D. Manuel Vieira Pinto com a Ordem da Liberdade, por ocasião dos 25 anos da ordenação episcopal do bispo de Nampula.

Amarante, recorde-se, é cidade geminada com Nampula.

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