Fomos à Festa em Candemil

Acompanhámos a Banda Musical de Várzea numa das festas para que, no verão passado, foi contratada. No primeiro fim de semana de agosto (3 e 4), Candemil celebrava S. Cristovão e, às oito horas da manhã, a filarmónica já ali estava para iniciar uma “ronda” pela freguesia, visitando os seus lugares: Corvachã, Murgido, Espinheiro e Gião.

Cada um destes lugares tem o seu santo padroeiro: Sra. da Corvachã, Sra. dos Remédios, S. José e Senhora das Dores, respetivamente. Esta deslocação foi, digamos, uma “visita de cortesia”, uma saudação e um convite a que os habitantes daqueles lugares participassem nas festas em honra de S. Cristóvão.

Em Candemil, as festas grandes, de verão, têm uma particularidade interessante: realizam-se, alternadamente, na sede da freguesia, celebrando-se S. Cristóvão; e Nossa Senhora dos Remédios, em Murgido. Para o ano, serão em Murgido e a banda contratada saudará os outros lugares.

Tendo a ver com a tradição local, esta alternância é também motivada pela coesão que se pretende que exista na freguesia, sem dar privilégio a qualquer dos maiores lugares, e porque isso permite juntar, anualmente, toda a população em grandes convívios. Os que ali vivem e os que lá nasceram e emigraram. Agosto é mês de emigrantes, que regressam aos sítios de onde partiram, marcando as suas férias em função das datas das festas.

De resto, explicou Sofia Marinho a AMARANTE MAGAZINE, os emigrantes participam, mesmo à distância, nos seus preparativos, na elaboração dos programas, nas escolhas de animação. Tudo isto, de acordo com a Presidente da Junta, “é combinado com os mordomos de cá”. Em França, a comunidade de emigrantes daquela zona do Marão tem também o seu “mordomo”, nomeado no final de cada festa para participar na organização da do ano seguinte.

Ao mordomo de França incumbe mobilizar os seus conterrâneos da diáspora, promover eventos e outras iniciativas para a angariação de fundos, que hão de reforçar o orçamento que suportará os festejos. Por cá, são recolhidos contributos porta a porta, com a Comissão de Festas a ser acompanhada nos seus peditórios por um grupo de bombos, que vai anunciando a sua presença nos povoados.

Quando agosto chega, a população de Candemil, a exemplo de outras freguesias do Marão, aumenta significativamente, com os dias e as noites a serem feitas de abraços e encontros, de convívios muitos, de bailes no terreiro, de jogos da malha, de porcos no espeto, mas também de romarias e procissões, passada marcada a compasso pela banda filarmónica, coração apertado de devoção e fé. Na terra onde nasceu António Cândido, a procissão faz-se pelo povoado, desce até à EN 15, que percorre ao longo de cerca de 200 metros, reentra na povoação e sobe até à igreja, num percurso que dura à volta de 35 minutos.

Depois do fogo, manda a tradição que seja a banda a encerrar a festa. Alinhamento feito pelo maestro, trombones e tubas, clarinetes e flautas, pratos, bombos e saxofones debitam, em uníssono, modinhas da terra, música da nossa, que entra na alma e, fechando os olhos, ali permanece.

Acabada a festa, o ponto de encontro, enquanto agosto durar, será o Parque de Merendas de Candemil, na margem do rio Marão, de águas frias e transparentes. O local convida a churrascos, acompanhados de minis e garrafas de verde. À noitinha contam-se estórias, há desgarradas e cantigas ao desafio. O som do acordeão ecoa na serra. Até para o ano.

 

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