20 de maio é Dia Mundial da Abelha

Em Amarante, a apicultura ganha cada vez mais expressão. No Município que é “o destino a não perder no Norte de Portugal”, o mel é já mesmo encarado como produto turístico. Hoje celebra-se o Dia Mundial da Abelha.

O Dia Mundial da Abelha foi proclamado pela Assembleia Gera das Nações Unidas em 2018, tendo como propósito lembrar a importância da polinização para o desenvolvimento sustentável, sendo que as abelhas são o polinizador mais importante da natureza. Os polinizadores têm efeitos positivos em todo o ecossistema, ajudando a preservar habitats naturais e a biodiversidade. Através da polinização, as abelhas contribuem para uma bem-sucedida produção agrícola (são responsáveis por 80% da polinização das culturas mundiais), sendo, por isso, fortes aliadas dos agricultores.

E porque falar de abelhas é falar de apicultura, convém referir que esta é uma atividade de enorme importância. É através da apicultura que obtemos o mel, alimento consumido há mais de 200 mil anos pelo homem, sendo que o mel é o único produto doce que contém proteínas, diversos sais minerais e vitaminas essenciais à nossa saúde. Além do alto valor energético, o mel possui conhecidas propriedades medicinais, sendo um alimento de reconhecida ação anti-bactericida.

Sobre a escolha de 20 de maio para celebração da efeméride, a opção tem a ver com o facto de ser o dia do nascimento de Anton Janša, esloveno que viveu no século XVIII, tendo sido pioneiro na criação e uso de técnicas modernas de apicultura.

Amarante é cidade BeePath

O programa BeePath (Caminho das Abelhas) começou por ser desenvolvido em 2015, em Liubliana, Eslóvénia, pretendendo-se elucidar a população sobre a importância das abelhas para nossa sobrevivência e segurança alimentar, descobrir a necessidade do mel para a nossa dieta diária, mas também saber mais sobre a prática da apicultura da cidade, tendo sido criada uma rede de parceiros locais, um caminho turístico e educacional e uma incubadora para o desenvolvimento de novas ideias empreendedoras.

De uma forma muito resumida, trata-se de um projeto de apicultura urbana sustentável, com o objetivo de criar cidades mais verdes, preservando os recursos naturais e a biodiversidade.

Depois de implementado em Liubliana – que é hoje a cidade líder da rede – foi reconhecido pelo programa URBACT da União Europeia como uma “boa prática” e evoluiu para uma rede de transferência, constituída por mais cinco cidades europeias, entre as quais Amarante: Ljubljana, Eslovénia, enquanto cidade líder; Amarante, Portugal; Bydgoszcz, Polónia; Cesena, Itália; Nea Propontida, Grécia e Hegyvídek, Hungria.

A produção de mel no concelho de Amarante tem, hoje, uma expressão significativa, estimando-se que existam mais de sete dezenas de produtores, 50 dos quais integram a Apimarão – Associação de Apicultores das Serras do Marão e Aboboreira.

Na última edição em papel de AMARANTE MAGAZINE (nr. 37, inverno 2020), inserida numa reportagem sobre a freguesia de Rebordelo, publicámos uma peça com Carlos Carvalhais que, em Mouquim, fez renascer o mel da Casa das Camélias. Este apicultor (em par-time) é o exemplo de muitos que têm na apicultura uma segunda atividade (o texto e a foto de Carlos Carvalhais são de Paulo Alexandre Teixeira).

O mel da Casa das Camélias, em Rebordelo

Foi uma série de conversas entre colegas de profissão, há pouco mais de 10 anos, que despertaram em Carlos Gonçalves a memória de uma infância passada em Rebordelo, numa casa onde sempre existiram colmeias.

“Eles tinham começado a produzir mel e falavam constantemente disso. Lembrei-me, então, que o meu pai ainda tinha algumas colmeias e um dia decidi perguntar se tinha interesse em reativar a atividade”, explicou a AMARANTE MAGAZINE. Das sete colmeias que existiam então, o número está, hoje, nas 200, a maioria em Rebordelo e o restante numa segunda exploração, em Trás os Montes.

Atualmente, a produção do mel Casa das Camélias situa-se nas três toneladas anuais, um número que tem vindo a crescer, gradualmente, ao longos dos últimos anos. Este aumento é mesmo muito gradual e, em grande parte, calculado, assegura o produtor.

Se, por um lado, é importante pensar e avaliar cuidadosamente o investimento, explica, por outro há que equilibrar a vida profissional – na área da segurança pública – com a atividade apícola. Mesmo assim, mantém a esperança de, num futuro próximo, chegar às 300 colmeias.

“Rebordelo tem o potencial e espaço para mais e maiores investimentos, acho que vale a pena apostar na área do mel, nesta região”, conclui.

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